... loucamente...
Deste modo, ou quase, "mergulharam" também muitos dos portugueses, milhares, que contrairam dívidas sem se certificarem primeiro das possibilidades que tinham em pagá-las. É gente que não quis ou não soube antever, como podia e devia, o futuro. Tal como o insensato e irresponsável do vídeo que mergulha e acaba ferido, também muitos dos tugas deste país, que têm pretensões a mostrar o que não têm, mergulharam num oceano de dívidas, e agora vêem-se e desejam-se para conseguir (os que conseguem) honrar os compromissso assumidos com as instituições de crédito a que recorreram desenfreadamente. De acordo com o boletim estatístico de Agosto do Banco de Portugal, o crédito mal parado atingiu em Agosto último os 2.801 milhões de euros. O Banco de Portugal mostra que as famílias já estavam a ter maior dificuldade em pagar os empréstimos ainda no Verão, antes da crise financeira internacional se agravar. Em relação a Julho, o crédito mal parado subiu 2,5 por cento, tendo aumentado 26,5 por cento em relação a Agosto de 2007. Se olharmos para o incumprimento na habitação, o aumento mensal não chegou aos 2 por cento, mas na comparação com Agosto do ano passado a subida foi superior a 23 por cento. Quanto ao crédito ao consumo, o aumento mensal do mal-parado foi de quase 2 por cento, mas disparou 70 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior. Vale a pena sublinhar que estes números ainda não reflectem os efeitos do agravamento da crise dos mercados, do último mês e meio. O crédito mal parado mede o nível de incumprimento no pagamento por parte das famílias dos empréstimos conseguidos junto da banca. A Deco recebe cada vez mais pedidos de ajuda. Há cada vez mais pessoas a pedir ajuda à Deco por não conseguirem pagar os encargos mensais. O mês de Setembro bateu recordes de processos de sobreendividamento. Segundo a Deco, o número de famílias sobreendividadas tem vindo a crescer de ano para ano. De Janeiro a Setembro deste ano foram abertos 1.323 processos de pedidos de ajuda, mais de 200 só este último mês. Expressivo também é o facto de 60 por cento destes casos serem de pessoas que têm entre três a dez créditos.