segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Gente menor e insensível

Não poderia ficar indiferente a tamanha crueza humana. O mundo em que vivemos presentemente conduz a esta desumanidade sem paralelo. As grandes áreas comerciais acabaram (ou estão em vias disso) com o mercado tradicional e as pessoas de menos posses são as vítimas da existência desta aldeia global, que é o Mundo actual. Hoje, cerca das 12h30, passei pelo supermercado “Pingo Doce” e quando já me encontrava na caixa para pagar as três costeletas de novilho e uma alface para o meu almoço e da família, verifiquei que à minha frente se encontrava uma jovem, de etnia cigana, na casa dos 20 anos, que transportava uma embalagem de fraldas para o seu bebé, que carregava ao colo cingido e seguro junto ao peito pelo seu braço esquerdo. Quando se preparava para pagar o produto adquirido, faltavam-lhe alguns euros para o total do preço daquele artigo, vendo-se na necessidade, por falta de dinheiro, de deixar ali aquele saco de fraldas que tanta falta lhe faziam para a higiene e conforto do seu rebento. De cabeça baixa e envergonhada, pediu desculpa à funcionária que se encontrava na caixa. Outros episódios se seguiram, por parte de gente menor e insensível, a que eu pus cobro imediatamente com o meu cartão multibanco.

Tiranetes sem nível

(...)
Para todos os efeitos de propaganda, as coisas são como são e, se não aparecem mais empresas, é porque assim o entenderam. Livremente. Recorde-se, a propósito, de que a dívida do Estado às empresas oscila entre os 2,5 mil milhões e os três mil milhões. Acontece que um dirigente de uma associação de empresas de construção civil, um dos sectores com mais razões de queixa do Estado mal pagador e caloteiro, veio a público dizer que a lista não só é inútil como pode ser altamente prejudicial. E o homem, com uma infinita ingenuidade ou malícia rebuscada, explicou que as empresas poderiam ser altamente lesadas em futuros negócios com o Estado se aceitassem pôr o seu nome no rol dos credores. Assim, com toda a simplicidade e sinceridade, este senhor veio mostrar a quem ainda tivesse dúvidas que o medo existe, anda por aí, e que a liberdade está cada vez mais parecida com um lenço de papel neste sítio manhoso, pobre, hipócrita e cada vez mais mal frequentado.
Num momento de crise violenta, com o Mundo em bolandas e os responsáveis políticos às voltas como baratas tontas à procura de uma saída airosa e dos culpados pela situação calamitosa a que isto chegou, é natural que o senhor presidente do Conselho, do alto da sua arrogância, afirme que todas as famílias e empresas necessitam da ajuda do Estado. Talvez seja por isso que o Governo passa praticamente incólume com a trapalhada da pen do Orçamento do Estado, que o ministro das Finanças sai poupado de duas patéticas conferências de Imprensa e que ninguém se indigna com o escândalo da tentativa mafiosa de alteração da lei de financiamento dos partidos políticos com o corte de uns artigos na proposta de Orçamento para 2009.
Talvez seja por isso também que Sócrates pode anunciar o aumento do salário mínimo como se fosse a primeira vez. É o verdadeiro regresso ao passado, ao ‘quero, posso e mando’, em que pequenos tiranetes sem nível chegam ao poder pelo medo, legitimados pelo voto
.


Por António Ribeiro Ferreira, Jornalista

Bonitas palavras



In Jornal Correio da Manhã, edição de hoje

domingo, 26 de outubro de 2008

Pobreza que nos envergonha

Portugal é, dos 27 países da União Europeia, um dos nove mais pobres, existindo 1,9 milhões de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza. Com tanto dinheiro que tem entrado neste país e vai continuar a entrar até 2013, só resta tirar uma conclusão: Portugal está repleto de gente pouco séria, subtraem o que podem ao Estado com a conivência dos representantes deste e não deixam nada para os pobres.

DAVID HUME

David Hume, filósofo e historiador britânico. Após frequentar estudos literários, é comerciante em Bristol, sem êxito, durante algum tempo.Vai para França, onde escreve o seu Investigação sobre a Natureza Humana. Pouco depois escreve os Essays, Moral and Political. Nomeado bibliotecário do colégio de advogados de Edimburgo, escreve uma História de Inglaterra que vai publicando pouco a pouco e que lhe proporciona a fortuna e a fama. Viaja de novo para França como secretário do embaixador inglês e, antes de se retirar para Edimburgo, é durante um ano subsecretário de Estado. Pese embora não obter nenhuma cátedra pela sua reputação de céptico, exerce grande influência sobre os estudiosos e pensadores de França e Inglaterra. Tem contactos, com frequência polémicos, com os enciclopedistas, especialmente com Rousseau.
A filosofia de Hume tem origem tanto no empirismo de Locke como no idealismo de Berkeley. Tenta reduzir os princípios racionais, que pensamos inatos, a associações de ideias que o hábito e a repetição vão fortalecendo; assim, algumas delas adquirem uma necessidade aparente. Tal é, por exemplo, o caso do princípio de causalidade. Fazem dele uma lei sobre as coisas, quando na realidade não expressa mais que uma coisa que nós esperamos, uma necessidade completamente subjectiva desenvolvida pelo hábito. As leis científicas resumem a experiência passada, mas não comportam certeza alguma no que ao porvir se refere. A substância, seja material ou espiritual, não existe. Os corpos não são mais que grupos de sensações ligadas entre si pela associação de ideias. Também o eu é somente uma colecção de estados de consciência. Por esta via, Hume chega ao cepticismo e ao fenomenismo absoluto: só conhecemos as percepções, o que aparece ou se mostra (fenómeno).

sábado, 25 de outubro de 2008

LENINE

Revolucionário e político russo. O seu verdadeiro nome é Vladimir Ilich Ulianov. Teórico do marxismo, é filho de um director escolar. Um seu irmão é executado por atentar contra o czar Alexandre III. Realiza estudos de Direito na Universidade de Kazan, de onde é expulso pelas suas actividades políticas. Continua a estudar em Sampetersburgo, onde entra em contacto com círculos marxistas. Filia-se na social-democracia e, em 1899, abandona a Rússia, num auto-exílio que dedica intensamente ao trabalho ideológico e organizativo.
Combina a sua condição de teórico com a de activista. As suas ideias vão-se afastando das da social-democracia de Plekhanov e, em 1903, dá-se uma cisão em duas facções: os mencheviques, que são a minoria, e os bolcheviques, que são a maioria e partidários de Lenine e da conversão do partido num organismo dirigido por revolucionários profissionais. A função dos intelectuais é dirigir a política e torná-la compreensível para as massas. Lenine defende a necessidade de uma acção de força para tomar o poder.
A partir de 1917 participa activamente nos movimentos revolucionários que conduzem à derrocada do czar. Chega à Rússia graças à ajuda alemã, pois em plena Primeira Guerra Mundial os Alemães pensam que lhes convém introduzir a discórdia na Rússia. Em Outubro de 1917 produz uma acção violenta e consegue o poder; acaba com o governo provisório de Kerensky e impõe o sistema soviético. Nacionaliza as indústrias, assina a paz com a Alemanha em Brest-Litovsk (1918) e implanta um férreo sistema de direcção da economia (a «economia de guerra»). Posteriormente, a «Nova Política Económica» suaviza estas medidas. Lenine planifica a economia através de planos quinquenais. Aquando da sua morte há uma luta pelo poder de que sai vitorioso Estaline, embora se saiba que Lenine prefere Trotsky.
Lenine deixa muitas obras escritas sobre polémica política, teoria política, capitalismo e comunismo, etc. As mais notáveis são Que Fazer?, Materialismo e Empirocriticismo, O Imperialismo, Estádio Supremo do Capitalismo e O Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo.

Vultos da Humanidade

Nesta minha nova vertente de intervenção cívica, vou falar dos maiores vultos da humanidade. Como não poderia deixar de ser vou começar por Karl Marx, o maior pensador e o maior homem que a humanidade já conheceu. Em português o seu nome pode ser traduzido por Carlos Marques. Nasceu na cidade alemã de Trevo, em 1813, e logo se revelou uma criança precoce. Aos doze meses já tocava piano, aos três anos falava seis línguas fluentemente, aos quatro começou a escrever sobre o materialismo dialéctico. Extremamente asseado, não deixava de incitar os outros a iniciarem-se nesse louvável hábito de tomar banho diariamente.O seu pai era um judeu convertido ao cristianismo, razão pela qual era alvo de gozo na escola. Era, é como quem diz. Isso aconteceu uma vez e mais nada. Um estouvado mais velho, andava Marx na primeira classe, vira-se a ele e diz-lhe: "Ó judeu, limpa-me aqui as botas." Rápido como um relâmpago e com uma sagacidade nunca antes vista, Marx respondeu-lhe calmamente: "-Quem o diz é quem o é. Cala a boca jacaré." E disse isto num português tão perfeito que o outro, envergonhado, se dissolveu ali mesmo e nunca mais foi visto. A partir daí todos começaram a temer e a respeitar os poderes deste intelecto prodigioso, que era capaz de ficar dias inteiros em meditação, mas que não hesitava em trabalhar arduamente quando tal se revelava necessário. Conta-se que, numa ocasião, passeva de caleche com a mãe, quando viu um pobre camponês que lavrava a terra sozinho. Imediatamente saltou do veículo, ajudou o camponês e ao fim de quinze minutos doze hectares de terra estavam plantados. Ensinou ainda o camponês a ler e a escrever e tornaram-se grandes amigos. O homem chamava-se Friedrich Engels, que em português se diz Frederico Engélio. Nesta altura o pequeno Marx tinha sete anos, mas era já considerado um prodígio de força e de génio. Era a pessoa mais forte que havia, e quando chegou aos dezoito anos, depois de uma adolescência brilhante, era capaz de descarregar um camião de brita sozinho, sem ajuda de ninguém. Era realmente um prodígio da natureza. Nesta época já tinha corrido mundo e sabia 23 línguas. Acabou por decidir fixar-se na Inglaterra e aí publicou grandes obras. Fê-lo enquanto estudava e trabalhava arduamente, pois apesar de poder viver folgadamente graças à herança que recebera nunca quis ver esse dinheiro. Doou-o aos pobres de Bona para que aprendessem a ler e escrever e assim espalhassem a mensagem do materialismo dialéctico. Em Londres, era estivador e trabalhava quinze horas por dia. Mas como o seu intelecto era tão poderoso, bastavam-lhe três horas para escrever o que um ser humano normal conseguiria em quinze dias. Por essa altura já era casado e desfazia-se em desvelos para que nada faltasse á mulher. De facto, assim acontecia. A casa, apesar de modesta, primava pelo asseio e chegava mesmo a ter água quente e uma torradeira eléctrica bem como um grelhador, onde Marx fazia deliciosos churrascos para os quais convidava toda a comunidade imigrante que vivia naquela área e que já na altura era discriminada fortemente pelos patrões fascistas.Tanto trabalho e tantas canseiras levaram, naturalmente, a um desgaste, apesar do poder deste homem. Morreu com setenta anos e as suas últimas palavras foram para a revolução que se avizinhava: "Deixei-vos a mensagem, e o campo lavrado. Agora cabe-vos a vós defender as causas fracturantes e criar uma sociedade progressista." Houve choro quando se soube da notícia do seu falecimento e, no dia do funeral, mais de dois milhões de pessoas encheram as ruas de Londres. A própria rainha Vitória, apesar de fascista, não teve outra alternativa senão decretar três dias de luto nacional por este grande homem, temendo a justa ira do povo se o não fizesse.
Fonte: O Zé portuga.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Hora de inverno

No próximo Domingo, dia 26 de Outubro, os relógios atrasam 60 minutos às 2 horas, o que nos vai proporcionar mais uma hora de sono. Este atraso de uma hora, segundo os entendidos, causa algumas perturbações nas crianças devido a alterações de ritmos. Apesar de trazer vantagens, como por exemplo amanhecer mais cedo que vem compensar o anoitecer antecipado, não deixa de ser um artifício que vai, nos primeiros dias, afectar o ritmo habitual das crianças e dos pais, mas depois tudo volta ao normal.

Um dia de azáfama

Ainda cedo, pelas cinco horas, de noite quase escura, saí de casa para me encontrar com os amigos do costume. Os da caça! Lá fomos em direcção ao mesmo local de sempre, ou quase sempre! O Alentejo é o palco da nossa jornada de caça. Deste vez estava em vista caçarmos pombo bravo, de seu nome científico Columba oena. O pombo bravo é uma ave sensivelmente do mesmo tamanho do pombo da rocha, uma espécie com uma distribuição restrita ao interior do país. Aparece nas zonas arborizadas (bosques ou florestas) e a sua alimentação baseia-se em grãos, bagas e bolotas. E bolotas no Alentejo, abundam.
Serve isto para dizer que ontem não vim ao meu blogger porque depois da caçada meteu jantarada de berbigão, santola do Rio Sado e tordos da época passada. Terminou pelas 23h30, apesar de ter de me retirar uma meia hora mais cedo para ir buscar a minha filha aos Paços do Concelho, onde esteve presente, como “actriz”, numa representação teatral da Escola Secundária Sebastião da Gama, desta mui nobre cidade, onde frequenta, com 16 anos de idade, o 12.º Anos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mergulhando ...

... loucamente...

Deste modo, ou quase, "mergulharam" também muitos dos portugueses, milhares, que contrairam dívidas sem se certificarem primeiro das possibilidades que tinham em pagá-las. É gente que não quis ou não soube antever, como podia e devia, o futuro. Tal como o insensato e irresponsável do vídeo que mergulha e acaba ferido, também muitos dos tugas deste país, que têm pretensões a mostrar o que não têm, mergulharam num oceano de dívidas, e agora vêem-se e desejam-se para conseguir (os que conseguem) honrar os compromissso assumidos com as instituições de crédito a que recorreram desenfreadamente. De acordo com o boletim estatístico de Agosto do Banco de Portugal, o crédito mal parado atingiu em Agosto último os 2.801 milhões de euros. O Banco de Portugal mostra que as famílias já estavam a ter maior dificuldade em pagar os empréstimos ainda no Verão, antes da crise financeira internacional se agravar. Em relação a Julho, o crédito mal parado subiu 2,5 por cento, tendo aumentado 26,5 por cento em relação a Agosto de 2007. Se olharmos para o incumprimento na habitação, o aumento mensal não chegou aos 2 por cento, mas na comparação com Agosto do ano passado a subida foi superior a 23 por cento. Quanto ao crédito ao consumo, o aumento mensal do mal-parado foi de quase 2 por cento, mas disparou 70 por cento em relação ao mesmo mês do ano anterior. Vale a pena sublinhar que estes números ainda não reflectem os efeitos do agravamento da crise dos mercados, do último mês e meio. O crédito mal parado mede o nível de incumprimento no pagamento por parte das famílias dos empréstimos conseguidos junto da banca. A Deco recebe cada vez mais pedidos de ajuda. Há cada vez mais pessoas a pedir ajuda à Deco por não conseguirem pagar os encargos mensais. O mês de Setembro bateu recordes de processos de sobreendividamento. Segundo a Deco, o número de famílias sobreendividadas tem vindo a crescer de ano para ano. De Janeiro a Setembro deste ano foram abertos 1.323 processos de pedidos de ajuda, mais de 200 só este último mês. Expressivo também é o facto de 60 por cento destes casos serem de pessoas que têm entre três a dez créditos.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O gato que come áves exóticas



O gato é secreto. Tece com calma o mistério do mundo.
O gato é elétrico. Pura energia a percorrer a espinha. O gato é orgulho. Sem humildade, jamais se entrega.
O gato é desejo. Atração pela lua e telhados.
O gato é sagrado. Olho no olho que brilha.

Donizete Galvão

Novinho em folha

Um Jeep, novinho em folha, a estrear, foi oferta do Sr. Jerónimo. Homem nobre e jeneroso este Sr. Jerónimo, amigo do seu amigo e da família ainda mais. Dá quase tudo pela família e pela filha então até a vida dá. Se gosta desmesuradamente da filha, como comprovadamente já o demonstrara, a todos que o conhecem, e são muitos, é natural que também goste de quem com ela venha a contrair matrimónio. Haverá sempre um sortudo! E as propriedades rurais, extensas e repletas de árvores de fruto e das outras bem mais valiosas, como por exemplo o sobreiro, que só em cortiça faz grossos maços de notas de euros em arrobas do córtex que vende anualmente. A filha, já noiva, é muito dedicada, nas horas vagas, à catequese lá na paróquia, o que lhe vale ter sempre a companhia inocente das crianças que catequiza e a benção dos seus progenitores, que ao vê-la na rua a cumprimentam sempre efusivamente. Na boda, que se avizinha, estarão presentes todos quantos, lá na paróquia, incluindo sua eminência o reverendo, conhecem e estimam a pretendida do "tal" sobejamente já identificado. Apesar da idade que difere um do outro, nada comprometerá a relação, que será para sempre!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O "tal" vai dar o enlace

Brevemente dá-se o enlace, católico, ou seja o sacramento do matrimónio entre o “tal” e ela! Pelo Natal tudo estará resolvido. Sobre o “tal” nada digo porque muitos já o conhecem. Está identificado. Sobre ela também não vou falar, não porque receie seja o que for, mas porque poderei entrar na esfera da privacidade da jovem, que deseja – isso é manifesto – total discrição. Há que respeitar a sua vontade. A vontade das mulheres é sagrada, deve ser respeitada, sempre, desde que essa vontade não belisque a dignidade do homem e seja contrária aos bons usos e costumes da família.
O vínculo matrimonial está por dias. Não quero crer que tal venha a causar alguma dor e azia a damas que nunca o foram, embora se saiba que muitas sofrem desses males, de todo insanáveis. São pecados capitais a inveja e a cobiça, que se não forem atempadamente debelados levam à perdição. Perdição da alma! Invejam-na porque é linda e formosa, esbelta, de olhos e cabelos pretos, e eles, que a cobiçam, porque não têm nem conseguem tão prestigiante galanteio da jovem que ainda é catequista. Há que ter cuidado, com elas e com esses “galifões”!!
Esta será a cabana que os vai acolher, na noite de núpcias, em plena propriedade do Sr. Jerónimo, homem de bem e de bom coração. É muito dado à família. Adora a filha e nutre já uma grande amizade pelo novo e futuro membro da família, herdeiro das suas propriedade rurais. É que só tem aquela filha! Depois do acto solene, que ocorrerá em plena serra, na vetusta capelinha do povo, todos rumarão à casa rústica da aldeia. Cabrito assado no forno regado com o néctar da última colheita da D.ª Ermelinda, espera os comensais. Lagosta suada será no fim. E fogo de artifício também!

domingo, 19 de outubro de 2008

Quem diz que é pela rainha

Quem diz que é pela rainha
Nem precisa de mais nada
Embora seja ladrão
Pode roubar à vontade
Todos lhe apertam a mão
É homem de sociedade
Acima da pobre gente
Subiu quem tem bons padrinhos
De colarinhos gomados
Perfumando os ministérios
É dono dos homens sérios
Ninguém lhe vai aos costados

José Afonso

sábado, 18 de outubro de 2008

Sonho

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado:
Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
Morre, não penes mais, ó desgraçado!
Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores.


Bocage

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Porque


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Jorge Sampaio e filhotes

Leio o blogger "O Arguido Catrense" onde se conta mais uma "estória" das muitas a que já nos habituámos a ler e a ouvir contar de Norte a Sul de Portugal, desde que estes políticos de pacotilha, carrascos do povo e coveiros da nação, assaltaram o poder.
"Soube-se a dia 27 de Agosto, pelo Público, que a jovem e distinta advogada Vera Sampaio (terminou o curso com média de 10 val) com uma carreira de 'dezenas de anos e larga experiência' foi contratada como assessora pelo membro do Governo, Senhor Doutor Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira, distinto Ministro da Presidência....Como a tarefa não é muito cansativa foi autorizada a continuar a dar aulas numa qualquer universidade privada onde ganha uns tostões para compor o salário e poder aspirar a ter uma vidinha um pouco mais desafogada.O facto de ser filha do Senhor Ex-Presidente da República das Bananas que também dá pelo nome de Portugal, não teve nada a ver com este reconhecimento das suas capacidades. Nada! Juro pela saúde do Sr. Engenheiro Sócrates.Há famílias a quem a mão do Senhor toca com a sua graça. Ámen. Já agora, como se devem recordar, ainda relativamente a esta família, soube-se há tempos que o filhote, depois de se ter formado, foi logo para consultor da Portugal Telecom, onde certamente porá 'toda a sua experiência' ao serviço de todos nós.Agora, como já ontem se disse, calhou a sorte à maninha e lá vai ela toda lampeira em part-time para o desgoverno, onde certamente porá também 'toda a sua experiência' ao serviço de todos nós.O papá para não fugir à regra, depois de escavacar uns bons centos de milhares de euros nossos na remodelação do um palacete ali para os lados da Ajuda, onde instalará um gabinete, vai ser transportado pelo nosso carro, com o nosso motorista e onde certamente, para não fugir ao lema familiar, porá, de novo, toda a sua experiência ao serviço de todos nós. Agora, foi nomeado Administrador da Gulbenkian...Tudo isto, por mero acaso, se passa num sítio mal frequentado que se chama PORTUGAL, onde um milhão e duzentas mil pessoas vivem com uma reforma abaixo dos 375 Euros por mês. Parece mentira, não parece?"
Pois parece, mas, ao que consta não é!

Um olhar sobre a pobreza

Alfredo Bruto da Costa, coordenador de um estudo intitulado “Um Olhar Sobre a Pobreza”, refere que «é preciso subir os salários e diversificar fontes de rendimento». Aquele coordenador não tem dúvidas quando diz que «os baixos salários são um problema grave, que contribui para a pobreza em Portugal». É preciso aumentar os ordenados e democratizar as empresas, diz. Em Portugal um considerável número de pessoas não consegue satisfazer de forma regular todas as necessidades básicas, enquanto outros enchem os bolsos e fazem vida de luxo. Se a uns sobra, que até esbanjam, outros há que têm fome de pão e leite. Contudo, a sociedade portuguesa não está preparada para apoiar as medidas necessárias no combate à pobreza. Na transição do Rendimento Mínimo Garantido para o Rendimento Social de Inserção, no debate público que houve parecia que as pessoas estavam mais interessadas em combater a fraude dos pobres do que em resolver o problema da pobreza. Isto é expressivo de uma mentalidade. Que é a nossa!
Portugal é de longe o país da União Europeia (UE) onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres. As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17 por cento do Produto Interno Bruto e 20 por cento dos mais ricos controlam 45,9 por cento do rendimento nacional. Portugal necessita de uma política redistributiva e de encarar de frente o problema da desigualdade.

Adenda:

Portugal possui dos mais altos valores à escala Europeia no que respeita aos indicadores de pobreza e assimetria de rendimentos. Estudos elaborados pela Comissão Europeia com valores referentes a meados da presente década apontavam que em Portugal cerca de 28% das famílias possuíam um rendimento inferior a 50% da média nacional enquanto que no espaço comunitário esse valor era de 17%.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Caça às lebres e perdizes no Alentejo

No primeiro dia de caça geral, época venatória 2008/2009, que teve início no passado dia 5 de Outubro, desloquei-me à herdade de Corte Condensa, distrito de Beja, junto ao Guadiana. Aí cheguei pela madrugada adentro acompanhado de mais três amigos que, nestas questões da caça, somos inseparáveis. Apesar da manhã se apresentar fresca, com uma brisa fina, o que nos obrigou a manter vestidos os blusões próprios da indumenta da caça, o céu mostrava-se limpo, sem nuvens, e a nascente vislumbrava-se já o Sol a querer brilhar. O dia prometia! Entretanto, em amena cavaqueira, cada qual dava a sua ideia relativamente à direcção a tomar na procura da tão desejada peça de caça que nos predispuséramos a caçar.
Sem cães, que nos pudessem servir, decidimos avançar sobre o denso mato, parte dele constituído por grandes e ressequidas estevas, onde, por certo, devido ao movimento de veículos que calcorreavam os caminhos no interior da herdade, na procura do melhor “parque” de estacionamento, se tinham já refugiado alguns dos bandos de bravas perdizes. Sobre os inúmeros cabeços da propriedade, com 4.700 hectares, era possível observar outros caçadores a caminhar, também eles movidos pela forte convicção de que ali encontrariam, tal como nós, lebres e perdizes. Caçávamos há cerca de duas horas, quando o amigo Chico, que é um sortudo do caraças, encoberto pelo tronco de uma azinheira, via aproximar-se de si uma lebre que outros caçadores levantaram do covil momentos antes. Não lhe perdoou. Foi tiro e queda! E o Chico, que quando abate uma peça de caça deixa transparecer alguma vaidade, não foi de modos e dependurou aquele corpulento e bonito roedor à cinta, como que se de um precioso troféu se tratasse. Eu e os restantes dois companheiros, o Adolfo e o João, apesar dos quilómetros percorridos, a pé, durante várias horas, nada nos calhou em sorte, não porque errássemos a caça, mas porque não vimos qualquer peça para que pudéssemos fazer o gosto ao dedo. Já cerca das 10h00 regressámos ao carro, para matar o bicho, onde nos aguardava o amigo Chico, de lebre à cinta e com um sorriso de orelha a orelha.

Já da parte da tarde, depois de bem almoçados e uma recatada sesta, que faz sempre bem, voltámos à lide da caça, e aí a coisa correu bem melhor.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ferry-Boats no Rio Sado

Construídos nos estaleiros “Multi-Maritime”, na Noruega, os novos ferry-boats chegaram ao Rio Sado, precisamente no dia 12 de Setembro, após 12 dias de navegação, puxados por rebocadores de alto mar, ao abrigo das leis marítimas internacionais.
Estes novos ferries foram construídos por encomenda expressa da Atlantic Ferries, a actual concessionária dos transportes fluviais do Sado, com testemunho passado, há precisamente dois meses, pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS).
Recorde-se que a Atlantic Ferries é uma empresa do grupo Sonae, a qual saiu vencedora do concurso, realizado há pouco mais de dois anos, para a concessão dos transportes fluviais do Sado. Acrescente-se que este contrato é válido por 15 anos, prorrogável por períodos de 5 anos.

Ao entardecer, o Sol retira-se

A imagem que encima este post, gentilmente cedida pelo meu amigo Figueiredo, por quem nutro especial amizade, foi obtida numa tarde de Outono, da Praia de Galapos, da Serra da Arrábida, que neste época do ano já não é visitada pelo mesmo número de veraneantes como sucede na época estival.

Adenda:
Por uma questão de justiça, refira-se, para que fique registado, que a colocação desta imagem no blogger só foi possível graças à prestimosa colaboração do nosso amigo e camarada João Sequeira.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Jesus misericordioso

Pensar em Deus diminui a ansiedade e aumenta a resistência à dor.
É que, ao pensar em Deus, as pessoas alcançam um maior estado de tranquilidade, que não é atingível pela mera meditação ou pelo simples relaxamento.
Que Deus vos abençou a todos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008



Ontem, dia 01 de Outubro de 2008, pelas 15h30, decorreu no Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana, sito no Largo do Carmo - Lisboa, a cerimónia de entrega da espada a 30 novos Oficiais; cerimónia que assinala a entrada daqueles novos Oficiais no Quadro Permanente da Guarda Nacional Republicana. A entrega da espada é um acto de grande significado simbólico, através do qual se entrega ao Oficial o símbolo do Comando, actividade que a partir desse momento passará a poder exercer. O ingresso na categoria de Oficial do Quadro Permanente da GNR tem como base a formação ministrada na Academia Militar (AM), Estabelecimento de Ensino Superior Universitário, especialidade da Guarda Nacional Republicana, ramo Armas e Serviços de Administração Militar e Saúde. Para os Oficiais das Armas e Serviço de Administração Militar, o curso tem a duração de cinco anos, quatro anos lectivos na AM e o quinto, designado Tirocínio para Oficial, na Escola Prática da Guarda. Para os Oficiais do Serviço de Saúde o curso tem a duração de sete anos, sendo o primeiro ano lectivo leccionado na AM, os seguintes cinco anos curriculares na Faculdade de Medicina e o último ano, designado por Tirocínio para Oficiais, constituído por um estágio na área da especialidade. A Cerimónia foi presidida pelo Ex.mo Comandante-Geral, Tenente – General Nelson dos Santos.Aos novos Oficiais da Guarda recém formados, "O Velhote" deseja que a vida lhes proporcione muitos sucessos pessoais e profissionais.