quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

As manhas do monstro

Está em curso mais uma operação de propaganda para enganar o pagode, os eurocratas de Bruxelas e, claro, os mercados.
O guião e a realização estão a cargo das Finanças e os actores são os muitos gestores das muitas empresas do Estado. Ao todo vinte e três. A ideia inicial era reduzir os custos em 15 por cento. Esta semana entregaram os seus planos ao patrão. Mas alguns, como a querida RTP, confessaram que não conseguiam cumprir a ordem governamental e, com muito esforço, iam tentar fazer cortes de 10 por cento. Mesmo assim, o Ministério das Finanças fez saber que, para já, as poupanças atingiam os 224 milhões. Menos de meio submarino. Só podem andar a gozar com a tropa que os sustenta. É por estas e por outras que é urgente chamar o FMI. Para acabar com as manhas do monstro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Fisco à mão armada

As contas do Estado até finais de Novembro confirmam a triste realidade deste desgraçado País governado à esquerda por gente de esquerda ou com complexos de esquerda.
O défice baixou à custa do aumento das receitas fiscais e do corte nos apoios sociais. O monstro continuou insaciável e, claro, a despesa não parou de subir. Num ano em que todos os países baixaram os seus custos, a bem ou mal, Portugal é a miserável excepção. O ministro Santos das Finanças não pode ou não quer controlar este escândalo. E se isto foi assim em 2010, imagine-se o que será em 2011. Este Governo relativo, liderado por um engenheiro relativo cada vez mais virtual, está a matar a economia e os indígenas. De forma criminosa, com sucessivos e devastadores assaltos fiscais à mão armada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Porcaria na ventoinha

A campanha presidencial tem sido triste, pobre, miserável até. Percebe--se porquê. Cavaco Silva aparece aos olhos dos eleitores como o único referencial de segurança e estabilidade no meio de uma desgraça que veio para ficar. O candidato socialista e bloquista anda na estrada desde Janeiro com os resultados que se conhecem. Não desperta o mínimo entusiasmo, é olhado com desdém pelo seu próprio partido e até o grande amigo Louçã anda por aí a tentar passar pelos pingos da chuva. Mas Alegre tem feito tudo o que pode para ser notícia. Prometeu um novo feriado no dia 23 de Janeiro, apelou à esquerda para fazer um novo 25 de Abril e, desesperado, até foi buscar uma ficha da PIDE do actual Presidente da República. Isto é, começou a pôr porcaria na ventoinha. Ainda acaba todo sujinho.

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O açúcar é que faz falta

A malta anda toda aos saltos. A malta gosta é disto. Em nome da liberdade de informação, é bom saber que meninos namoram meninas, meninas namoram meninas, meninos namoram meninos, deixam de namorar, voltam a namorar, engravidam-se uns aos outros, abortam-se uns aos outros, voltam a engravidar e são felizes para sempre.
Em nome da liberdade de informação, a malta anda agora toda excitada com telegramas diplomáticos, com os passageiros dos voos da CIA, meninos de coro apanhados a fazer chichi com bombas nas fraldas e extraordinários negócios secretos no democrático Irão. A malta anda toda feliz e contente com estes presentes de Natal. Mas o importante, o que faz mesmo falta à malta, não é a rosa, como canta Gilbert Bécaud. Não senhor. É o açúcar.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A hora da vassoura

Portugal é o terceiro país da Europa com mais precários. O ordenado médio é um dos mais baixos e o salário mínimo está longe da média europeia. Os empresários lusos afirmam que é impossível aumentá-lo e estão muito preocupados com o valor das indemnizações pagas aos despedidos.
Atento ao problema, o Governo do senhor engenheiro relativo admite criar um fundo para ajudar os patrões a pagar essas fortunas a quem fica sem trabalho. Este quadro de miséria é muito revelador. A maioria das empresas só consegue sobreviver com mão-de-obra barata e concorrência desleal. Não são competitivas em lado nenhum. Nem cá dentro e muito menos lá fora. As crises não têm apenas coisas más. Também servem para limpar o lixo da economia. Chegou a hora da vassoura.



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Somos uns desgraçados

O chefe do Governo espanhol decretou o estado de alarme e chamou a tropa para pôr na ordem os controladores aéreos. De rabinho entre as pernas, lá foram trabalhar depois de terem lançado o caos neste mundo global.
Zapatero fez muito bem. Por cá é tudo muito mais difícil. Presidentes de empresas públicas não querem reduzir os salários, os hospitais do Estado andam às fintas com os cortes decretados, um chico--esperto dos Açores dá com uma mão o que tira com a outra e o próprio Executivo deixa os seus rapazes instalados em altos cargos acumularem pensões com ordenados. Indecências de indecentes impunes a tudo e a todos. E o pior é que não se vislumbra por aí ninguém capaz de chamar uns coronéis para acabar com esta imensa e triste choldra democrática. Até nisso somos mesmo uns desgraçados.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Até tu, César?

Carlos César, presidente da região autónoma dos Açores, resolveu avisar o continente de que não tenciona acatar as decisões da República. Cortes na função pública? Nem pensar: se o governo corta pela frente, os Açores devolvem por trás.
O dinheiro para estas ‘compensações’, avisa César, não vai custar um tostão aos contribuintes. O dinheiro, presume-se, foi-lhe dado pelo planeta Marte e ele tenciona usá--lo pelos terráqueos da sua paróquia. Não vale a pena comentar o abuso e a imoralidade do gesto. Interessa apenas lembrar que o desvario não nasceu por acaso; ele é o resultado fatal das ‘excepções’ – nos hospitais, nas empresas do Estado – que o próprio governo de Sócrates foi tolerando.
E, com isso, diminuindo a sua autoridade e legitimidade para impor o que quer que seja a terceiros. Carlos César não abriu apenas uma guerra privada com o PS socrático. César fez com o governo o que o governo fez com os portugueses: ignorar a doutrina da ‘austeridade’ para contentar feudos ou clientelas. Portugal é um país a saque onde ninguém manda e todos se governam.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sá Carneiro

O filósofo Isaiah Berlin escreveu em tempos que Israel normalizara a condição dos judeus no mundo. Os judeus eram ‘corcundas’, dizia ele metaforicamente, porque viviam a sua identidade de forma desconfortável.
Israel cortara essa ‘corcunda’, oferecendo-lhes casa própria. Lembro este texto de Berlin nos 30 anos da morte de Sá Carneiro. Muito se escreveu sobre a vida e o pensamento do homem.
Não me meto por esses caminhos. Prefiro o meu: Sá Carneiro cortou a ‘corcunda’ da direita portuguesa ao dar-lhe respeitabilidade e legitimidade. Ser de direita, no Portugal pós-revolucionário, era ser um nostálgico da velha ordem; ou, em alternativa, um situacionista sem ideologia ou coluna vertebral, mero apêndice do PS – ou da tutela militar.
Sá Carneiro removeu essa ‘deformidade’: contra Marcello; contra o PREC; contra Soares; contra uma parte do PPD; e contra Eanes, era possível uma direita democrática, pluralista e atlanticista, respeitadora da iniciativa privada e da dignidade da pessoa humana. Morreu demasiado cedo, é certo. Mas fez o bastante para que a direita, ou uma parte dela, pudesse andar por aí de costas ao alto. Muito obrigado.

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Figuras de governo

Os presidentes da República entram em gestão corrente seis meses antes do final do seu mandato.
Foi o centrão que inoculou a paralisia do sistema na revisão constitucional de 1982, assustado com Ramalho Eanes. Mas quem está agora de quarentena é Cavaco Silva. Não têm faltado no entanto propostas para dotar Portugal de um governo capaz de enfrentar uma situação cada vez mais difícil.
Depois de Luís Amado ter levantado o tema de um novo governo, propondo uma assaz clássica coligação com o PSD, emergiu um coro de adeptos de uma remodelação do Executivo.
A remodelação também é uma ideia clássica pois como constatou o ministro Santos Silva um executivo nunca chega com os mesmos nomes ao fim. Coligação e remodelação parecem ter em comum a inamovibilidade do actual primeiro-ministro, o que diminuirá o respectivo impacto. Outros sugerem um governo de concentração de largo espectro partidário. Ora essas figuras governativas, remodelação, coligação, executivo de concentração nacional, podem-se suceder num contexto de crise caso se não acerte com uma solução política que desperte a confiança abalada dos cidadãos.
A remodelação é a solução mais fraca mas a que está ao alcance dos actuais decisores. Cria uma difusa expectativa, reforça a vontade de mudar, mas tem os dias contados.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Baratas tontas

Não há mesmo nada a fazer. Quando se exige cabeça fria, bom senso, determinação, estratégia clara, discurso coerente, aparece o Governo do engenheiro relativo a dar tiros nos pés todos os dias.
Os ministros não se entendem e parece que já não percebem ou respeitam o seu chefe. Teixeira dos Santos vai a Bruxelas domingo à tarde e a Comissão Europeia anuncia que Portugal vai fazer reformas na legislação laboral, na saúde e nos transportes. Segunda-feira é tudo desmentido. As Finanças dizem que não há nada de novo, a Helena do Trabalho nega mexidas no Código e o Silva da Economia garante que não são precisas medidas adicionais. Chegados a este ponto, é preciso ir urgentemente à drogaria mais próxima comprar uma boa dose do velho DDT. Para matar estas baratas tontas.

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