terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nódoa

«Este Governo não há-de cair porque não é um edifício. Porque é uma nódoa, só pode sair com benzina».

Eça de Queirós

 
E à bengalada, não? Pergunto eu!

Nem a fé nos salva

O País está falido. A dívida pública é enorme. Os juros que os credores cobram pelo dinheiro que emprestam não param de subir. O endividamento externo, isto é, o que as famílias, as empresas e o Estado devem ao estrangeiro, é insustentável.
Tudo isto tem sido dito e redito nos últimos anos. É impensável continuar a gastar desta maneira. Acabaram os dias fáceis. Andar a fingir que somos ricos já foi chão que deu uvas. Não somos. Somos pobres e andamos a gastar demais há décadas. Tudo isto parece óbvio. Mas há muitos indígenas que ainda não perceberam que o céu lhes vai cair em cima mais cedo do que tarde. Os protestos, as reivindicações e as lamúrias mostram que nem com desenhos vão compreender a tragédia. Resta acreditar. Mas, por este andar, nem a fé nos salva.


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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Blindados chegaram a Portugal

A realização da Cimeira da Aliança Atlântica, que decorreu sexta e sábado, em Lisboa, foi várias vezes assumida como o motivo para a compra, urgente, de uns quantos blindados, servindo até como justificação para contornar o obrigatório concurso público. A Cimeira terminou, sem casos de insegurança, tendo ficado demonstrada a evidente inutilidade daqueles veículos para garantir a segurança do evento.

Depois da aquisição dos submarinos, por parte do Ministério da Defesa, o Ministro da Administração Interna, Dr. Rui Pereira, também quis contribuir para o buraco financeiro em que estamos mergulhados. Só à bengalada.   


Fim de ciclo

No espaço de uma semana, o Ministro das Finanças desdobrou-se em várias declarações disparatadas – deu duas entrevistas contraditórias sobre a necessidade da intervenção do FMI, resolveu provocar a função pública com o anúncio de que os cortes salariais são definitivos e suscitou a ira dos empresários ao recomendar-lhes a moderação salarial que o sector privado, ao contrário do Estado, já fez há vários anos.

Na mesma semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros ocupou o espaço noticioso com declarações absurdas sobre a urgência de uma grande coligação, invadindo o espaço de competência do Primeiro-Ministro e suscitando críticas várias dentro do próprio partido. No mesmo lapso de tempo, o desbocado Ministro das Obras Públicas resolveu contrariar o que o Governo acordou com o PSD em matéria de reavaliação dos investimentos públicos, anunciando que o TGV vai avançar, com ou sem a reavaliação a que o Governo se comprometeu.

Nestes mesmos dias, perante as notícias preocupantes do agravamento do desemprego, a Ministra do Trabalho resolveu sair da sua clandestinidade, não para anunciar qualquer programa de estímulo ao emprego, mas para declarar que é normal e até esperado este aumento do número de de-sempregados. Ao mesmo tempo, vários dirigentes do PS resolveram vir publicamente apelar a uma remodelação do Governo, desafiando a autoridade do Primeiro-Ministro e a pacatez verbal que era habitual no partido do Governo.

Perante tudo isto pergunta-se: o que leva tantos responsáveis do Governo e do PS a falar demais e a dizer tantos disparates? O que explica tanto desvario e insensatez? O que conduz o poder instalado a afirmar-se, ele próprio, factor de instabilidade política? A resposta é demasiado óbvia – estamos em fim de ciclo. Sem obra para apresentar, incapaz de fazer face à crise e em queda brutal nas sondagens, está rapidamente a chegar ao fim o ciclo governativo do PS. Por isso, o Governo está à deriva e em desagregação, o partido atónito e desorientado e o Primeiro-Ministro em perda acelerada de liderança e autoridade. Em democracia, não há vitória que não termine em derrota. Estamos a aproximar-nos rapidamente do momento de aplicação desta regra política universal. Já foi assim com o PSD. Desta vez é com o PS. E quando assim é, nada há a fazer. Não há remodelações ou coligações que resolvam o que só o povo pode resolver. É apenas uma questão de tempo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pancada forte e feia

A cimeira da NATO arranca amanhã e é certo e sabido que o País e o Mundo vão assistir a espectáculos montados por grupos que odeiam a democracia e a liberdade.

Estão sempre ao lado dos terroristas e de toda a sorte de bandidos. E muitos ainda não esqueceram a brutal derrota dos comunistas da URSS e a liquidação total da tenebrosa Cortina de Ferro.
Tais bandos, pagos sabe-se lá por quem, circulam por todo o lado, provocam distúrbios, atacam as forças policiais, vandalizam cidades e põem em causa a segurança dos cidadãos.

Lisboa não vai ser uma excepção. Espera-se, por isso, tolerância zero para estes energúmenos. Não são militantes de nada, nem defensores de coisa nenhuma. São puros criminosos e devem ser tratados como tal. À pancada. Forte e feia.

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domingo, 14 de novembro de 2010

O último limite

Um mês depois de Teixeira dos Santos, em entrevista ao ‘Expresso’, ter admitido que a partir da taxa de juro de 7% o FMI podia ser chamado a intervir em Portugal, os mercados bateram a previsão do ministro e ultrapassaram esse patamar.

Foi preciso uma declaração conjunta dos mais importantes países da Europa sobre a ajuda à Irlanda e uma intervenção activa do BCE na compra de dívida portuguesa para aliviar a pressão, mas mesmo assim Portugal continua a pagar um prémio de risco equivalente a 45 milhões de euros por cada mil milhões de empréstimo face aos juros alemães. Quando o mercado acreditava em Portugal, o prémio pago era de apenas seis milhões em cada mil milhões. Mas não vale a pena culpar os mercados, porque a culpa é da má fama do nosso país.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bem fritos e mal pagos

O Orçamento do Estado para 2011 vai hoje a votos e é muito natural que passe com a abstenção do PSD. E isto apesar dos discursos violentos dos sociais-democratas não só contra o Governo mas também contra algumas medidas históricas previstas no documento.
É extraordinário que o partido laranja considere muito negativo um violento corte nas despesas do Estado. É espantoso que o partido do economista relativo cada vez mais liberal não aplauda o corte de salários de políticos e funcionários públicos. É assombroso que os deputados da S. Caetano andem tão envergonhados por estarem a dar um contributo decisivo para a redução do monstro obsceno que come mais de metade da riqueza produzida em Portugal. Pois é. Com gentinha desta estamos bem fritos e mal pagos.