Amigo do seu amigo
José Sócrates é um homem determinado, corajoso e amigo do seu amigo. Diga-se o que se disser do primeiro-ministro, não há registo de alguma vez ter deixado cair alguém que lhe tenha sido leal nos perigosos e escorregadios caminhos da políticas nas suas diversas vertentes.

Vem isto a propósito das recentes polémicas em torno de figuras como Cândida Almeida e Pinto Monteiro. Os dois magistrados têm sido exemplares no modo como têm interpretado o seu papel na sociedade e no Estado. E têm sido exemplares também na forma como sempre respeitaram José Sócrates desde que o secretário-geral do PS chegou ao poder. Cândida Almeida arquivou o processo da sua licenciatura em engenharia e agora enterrou o caso Freeport. Pinto Monteiro, esse, evitou, contra tudo e contra todos, que as suas conversas com Armando Vara fossem conhecidas e conseguiu anular uma investigação a um crime de atentado contra o Estado de Direito. É obra. José Sócrates, amigo do seu amigo, sente naturalmente uma grande estima e admiração pela forma leal, determinada e corajosa como os dois magistrados suportaram tanta tempestade. É verdade que a lealdade, o respeito e o silêncio não têm preço. Mas há sempre excepções. E o primeiro--ministro, como se sabe, é um bom pagador. Não de promessas. De amizades.