No primeiro dia de caça geral, época venatória 2008/2009, que teve início no passado dia 5 de Outubro, desloquei-me à herdade de Corte Condensa, distrito de Beja, junto ao Guadiana. Aí cheguei pela madrugada adentro acompanhado de mais três amigos que, nestas questões da caça, somos inseparáveis. Apesar da manhã se apresentar fresca, com uma brisa fina, o que nos obrigou a manter vestidos os blusões próprios da indumenta da caça, o céu mostrava-se limpo, sem nuvens, e a nascente vislumbrava-se já o Sol a querer brilhar. O dia prometia! Entretanto, em amena cavaqueira, cada qual dava a sua ideia relativamente à direcção a tomar na procura da tão desejada peça de caça que nos predispuséramos a caçar.Sem cães, que nos pudessem servir, decidimos avançar sobre o denso mato, parte dele constituído por grandes e ressequidas estevas, onde, por certo, devido ao movimento de veículos que calcorreavam os caminhos no interior da herdade, na procura do melhor “parque” de estacionamento, se tinham já refugiado alguns dos bandos de bravas perdizes. Sobre os inúmeros cabeços da propriedade, com 4.700 hectares, era possível observar outros caçadores a caminhar, também eles movidos pela forte convicção de que ali encontrariam, tal como nós, lebres e perdizes. Caçávamos há cerca de duas horas, quando o amigo Chico, que é um sortudo do caraças, encoberto pelo tronco de uma azinheira, via aproximar-se de si uma lebre que outros caçadores levantaram do covil momentos antes. Não lhe perdoou. Foi tiro e queda! E o Chico, que quando abate uma peça de caça deixa transparecer alguma vaidade, não foi de modos e dependurou aquele corpulento e bonito roedor à cinta, como que se de um precioso troféu se tratasse. Eu e os restantes dois companheiros, o Adolfo e o João, apesar dos quilómetros percorridos, a pé, durante várias horas, nada nos calhou em sorte, não porque errássemos a caça, mas porque não vimos qualquer peça para que pudéssemos fazer o gosto ao dedo. Já cerca das 10h00 regressámos ao carro, para matar o bicho, onde nos aguardava o amigo Chico, de lebre à cinta e com um sorriso de orelha a orelha.
Já da parte da tarde, depois de bem almoçados e uma recatada sesta, que faz sempre bem, voltámos à lide da caça, e aí a coisa correu bem melhor.