Alfredo Bruto da Costa, coordenador de um estudo intitulado “Um Olhar Sobre a Pobreza”, refere que «é preciso subir os salários e diversificar fontes de rendimento». Aquele coordenador não tem dúvidas quando diz que «os baixos salários são um problema grave, que contribui para a pobreza em Portugal». É preciso aumentar os ordenados e democratizar as empresas, diz. Em Portugal um considerável número de pessoas não consegue satisfazer de forma regular todas as necessidades básicas, enquanto outros enchem os bolsos e fazem vida de luxo. Se a uns sobra, que até esbanjam, outros há que têm fome de pão e leite. Contudo, a sociedade portuguesa não está preparada para apoiar as medidas necessárias no combate à pobreza. Na transição do Rendimento Mínimo Garantido para o Rendimento Social de Inserção, no debate público que houve parecia que as pessoas estavam mais interessadas em combater a fraude dos pobres do que em resolver o problema da pobreza. Isto é expressivo de uma mentalidade. Que é a nossa! Portugal é de longe o país da União Europeia (UE) onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres. As 100 maiores fortunas portuguesas representam 17 por cento do Produto Interno Bruto e 20 por cento dos mais ricos controlam 45,9 por cento do rendimento nacional. Portugal necessita de uma política redistributiva e de encarar de frente o problema da desigualdade.
Adenda:
Portugal possui dos mais altos valores à escala Europeia no que respeita aos indicadores de pobreza e assimetria de rendimentos. Estudos elaborados pela Comissão Europeia com valores referentes a meados da presente década apontavam que em Portugal cerca de 28% das famílias possuíam um rendimento inferior a 50% da média nacional enquanto que no espaço comunitário esse valor era de 17%.