sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Figuras de governo

Os presidentes da República entram em gestão corrente seis meses antes do final do seu mandato.
Foi o centrão que inoculou a paralisia do sistema na revisão constitucional de 1982, assustado com Ramalho Eanes. Mas quem está agora de quarentena é Cavaco Silva. Não têm faltado no entanto propostas para dotar Portugal de um governo capaz de enfrentar uma situação cada vez mais difícil.
Depois de Luís Amado ter levantado o tema de um novo governo, propondo uma assaz clássica coligação com o PSD, emergiu um coro de adeptos de uma remodelação do Executivo.
A remodelação também é uma ideia clássica pois como constatou o ministro Santos Silva um executivo nunca chega com os mesmos nomes ao fim. Coligação e remodelação parecem ter em comum a inamovibilidade do actual primeiro-ministro, o que diminuirá o respectivo impacto. Outros sugerem um governo de concentração de largo espectro partidário. Ora essas figuras governativas, remodelação, coligação, executivo de concentração nacional, podem-se suceder num contexto de crise caso se não acerte com uma solução política que desperte a confiança abalada dos cidadãos.
A remodelação é a solução mais fraca mas a que está ao alcance dos actuais decisores. Cria uma difusa expectativa, reforça a vontade de mudar, mas tem os dias contados.